México 1970: a Copa que transformou Pelé em obra de arte coletiva
O título mais belo da história brasileira foi construído com um elenco tão completo que até Pelé precisou dividir os holofotes.
A Copa de 1970 no México não foi apenas o terceiro título do Brasil. Foi, segundo a memória coletiva do futebol, a demonstração mais acabada de como o esporte pode ser jogado.
Pelé chegou ao México aos 29 anos carregando as cicatrizes de 1966, quando a Seleção foi eliminada precocemente após marcações truculentas que o tiraram do torneio. Quatro anos depois, o elenco ao redor dele era diferente: Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivelino e Carlos Alberto Torres formavam um conjunto que qualquer gol parecia apenas a pontuação de uma arte maior.
Eduardo Galeano, em seus fragmentos sobre o futebol, descreveu aquele time como "a única prova de que o futebol pode ser perfeito". A final contra a Itália, vencida por 4 a 1, ficou gravada menos pelos números e mais pelo gol de Carlos Alberto Torres — uma jogada coletiva de treze passes que terminou como um poema visual.